Apple II: vivo, graças aos colecionadores

Com saudades dos velhos tempos – e com agenda ociosa para o feriado de 1.o de maio -, o Versão Zero foi a um encontro de usuários e colecionadores de Apple, promovido pelos mantenedores do grupo de discussão AppleIIBR. E encontrou algumas peças bastante interessantes – a começar por este Apple IIe original da foto [...]

O Apple II chegou a ter até interface gráfica

O Apple II chegou a ter até interface gráfica

Com saudades dos velhos tempos – e com agenda ociosa para o feriado de 1.o de maio -, o Versão Zero foi a um encontro de usuários e colecionadores de Apple, promovido pelos mantenedores do grupo de discussão AppleIIBR. E encontrou algumas peças bastante interessantes – a começar por este Apple IIe original da foto acima, superequipado com mouse, interface gráfica e armazenamento em Compact Flash.

Sim, você ouviu bem. Os aficionados pela plaforma nascida junto com a Apple em 1977 têm se empenhado em melhorar as condições de trabalho de quem ainda usa o micrinho. E a interface para Compact Flash e HD IDE de 2,5 polegadas é uma das iniciativas mais arrojadas.

O cartão CFFA (Compact Flash for Apple): de projeto livre

O cartão CFFA (Compact Flash for Apple): de projeto livre

Nós aqui levamos nosso valente Apple Milmar IIc com drive de 5,25 polegadas, só para descobrir que tanto o drive como nossos disquetes não funcionavam mais :( . E ainda fomos humilhados por um Apple IIc original com mouse, cujo nome oficial, escrito debaixo do gabinete, é “THE Apple IIc”.

O Apple da Milmar (E) e o Laser original: comparação humilhante

O Apple da Milmar (E) e o Laser original: comparação humilhante

Note que a diferença não está apenas na quantidade de teclas. O Apple IIc vinha com drive embutido, enquanto o da Milmar trazia apenas a interface. O original trazia também saída de som com controle de volume e um projeto de hardware mais atual, mais parecido com o que estaria por vir no Macintosh.

Num, o drive embutido; noutro, portas de interface

Num, o drive embutido; noutro, portas de interface

Outras raridades em breve, já no próximo post.

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Teste Retrô: TRS-80 Model 100 (1983)

Depois de uma bem sucedida negociação no eBay, o editor deste blog pôs as mãos em um aparelho há muito cobiçado: um TRS-80 Model 100.
O Model 100 é um micrinho que fez história por duas razões: foi o primeiro notebook de sucesso (seria, na verdade, o segundo; o primeiro lugar, pela cronologia, é do desconhecido [...]

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Depois de uma bem sucedida negociação no eBay, o editor deste blog pôs as mãos em um aparelho há muito cobiçado: um TRS-80 Model 100.

O Model 100 é um micrinho que fez história por duas razões: foi o primeiro notebook de sucesso (seria, na verdade, o segundo; o primeiro lugar, pela cronologia, é do desconhecido Epson HX-20) e teve seus programas internos feitos por ninguém menos que Bill Gates.

Diz a lenda que o Model 100 fez sucesso principalmente entre jornalistas. Era fácil ver alguém teclando num Model 100 durante as Olimpíadas de 1984, em Los Angeles. Em entrevista ao Museu Natural de História Americana, Gates disse que mesmo em 1993 ainda se podia ver alguns jornalistas usando o aparelhinho.

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8 kbytes por 600 dólares

Para quem não sabe, TRS é a sigla para Tandy Radio Shack. A Radio Shack é uma cadeia de lojas de aparelhos e peças eletrônicas que foi fundada em 1921. Em 1963, Charles Tandy encontrou a rede quase falida e a transformou novamente em um negócio lucrativo.

Em 1977, a empresa decidiu entrar no ramo de computadores pessoais. Nascia assim a linha TRS-80. O Model 100 é parte dessa dinastia. Foi lançado nos EUA em 1983 – há exatos 25 anos, portanto – por preços a partir de 599 dólares (base do modelo com 8 kbytes de RAM).

Você leu certo: 8 kbytes. O modelo que adquiri tem 24 kbytes, espaço insuficiente para um documento Word vazio. Mesmo assim, o micrinho é valente. Traz um interpretador Basic e quatro aplicativos (um editor de texto, agenda de endereços, agenda de compromissos e um programa de comunicação). Havia ainda um modelo com 32 kbytes, à venda, no lançamento, por 1.134 dólares.

Meu radinho de pilha

O melhor é que o micro funciona por horas apenas com 4 pilhas AA. Sua autonomia é de dar inveja a qualquer notebook: dá para usá-lo de 16 a 20 horas sem trocar as pilhas. Um LED vermelho do lado da tela avisa quando elas começam a ficar fracas.

A tela LCD tem 8 linhas de 40 caracteres e um botão para ajustar sua intensidade. Não há iluminação. Do lado direito ficam a chavinha liga-desliga e a entrada para o adaptador de tomada de 6 volts. Do esquerdo, os botões de controle do modem embutido (sim, ele tem modem de 300 bps!) e um leitor de código de barras.

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Para que um leitor desses?, você pode perguntar. Segundo a história contada por Gates na entrevista ao museu americano , a japonesa Kyocera – que foi quem projetou este micro – e a Microsoft acreditavam que software poderia ser vendido na forma de cartões com código de barras. O fundador da Microsoft disse que a programação da ROM do Model 100 marcou a última vez em que ele realmente botou a mão na massa.

Tecladão de verdade

No uso, o Model 100 é surpreendente. Esqueça a ergonomia: para enxergar a tela enquanto digita, vai ter que se curvar. Mas o teclado, em tamanho natural, é robusto e suave. Teclas de cursor e de edição permitem o hoje banal Copiar, Colar, Cortar. Mas imagine isso em 1983…

Nos cálculos, o desempenho do processador 80C85 de 8 bits e 2,4 MHz (de novo, você leu certo: megahertz) não decepciona. Escrevi um programa de cálculo de fatorial e o resultado vem na hora.

Um dos testes consistiu em calcular a “área sob a curva” da função f(x)=1/x, no intervalo entre 1 e 100. Isso equivale a encontrar a melhor aproximação da integral numérica dessa função, no intervalo dado. Usamos, para tanto, o método dos trapézios. O resultado? A aproximação com 100 trapézios levou 8 segundos; com 1000 trapézios, 1m22s; com 10000 trapézios, 14m. O tempo foi praticamente a metade do que levou outro micro de 8 bits, o Microdigital TK85 (cujo teste você pode conferir aqui).

Meu próximo passo é escrever um programa para resolução de matrizes baseado no Método de Gauss – aí, talvez, o micrinho peça água.

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Infelizmente este Model 100 não veio com os manuais. Mas não tem problema: muitos deles já foram escaneados e podem ser baixados do Club 100, site que reúne donos e fãs do Model 100. Mas, para o Versão Zero, basta a história: o Model 100 tem tudo para ser nossa maior aquisição.

(O Versão Zero agradece ao site Obsolete Technology pelas informações de época.)

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Micro brasileiro dos anos 80, um item raro

Revirando papéis velhos, encontrei um exemplar intacto da revista Byte Brasil de 1994 – e, nela, um artigo escrito pelo colega Marcelo Bernstein sobre pesquisa, feita pela FGV, do uso de informática pelas empresas.
Depois de 14 anos, o que poderia haver de interessante numa velha revista de informática? Bem, para os colecionadores de velhos micros [...]

Revirando papéis velhos, encontrei um exemplar intacto da revista Byte Brasil de 1994 – e, nela, um artigo escrito pelo colega Marcelo Bernstein sobre pesquisa, feita pela FGV, do uso de informática pelas empresas.

Depois de 14 anos, o que poderia haver de interessante numa velha revista de informática? Bem, para os colecionadores de velhos micros da época da reserva de mercado, há algo, sim: a tabela abaixo.

Evolução das vendas de micros no Brasil
Ano Quantidade Base ativa Base de PC % PC/Total
1982 12.000 15.000 0 0%
1984 70.000 120.000 3.000 3%
1986 230.000 480.000 20.000 4%
1988 400.000 1.180.000 170.000 14%
Fonte: Revista Byte Brasil, agosto 1994; CIA/FGV

Ela mostra a quantidade de micros vendidos no Brasil entre 1982 e 1988. Foi nessa época que a indústria nacional produziu máquinas como TK, Unitron e CP-500.

Leia mais sobre micros antigos

>>> Teste: Apple Laser IIc da Milmar

A coluna Base Ativa estimava a quantidade de micros em operação nas empresas. Base de PC estimava o número de equipamentos compatíveis com micros IBM PC. A última coluna dava o porcentual de PCs em uso, em relação ao total de micros.

A tabela dá uma idéia de como pode ser difícil, por exemplo, encontrar um exemplar do TK-82C, produzido pela Microdigital no início dos anos 1980.

Em 1988, juntavam-se a nós os clones de MSX, como Hot Bit e Expert. Dado o crescimento da produção brasileira, torna-se facilmente explicável por que é bem mais fácil achar um deles para comprar.

Para comparar: o Brasil fechou 2007 com 10,7 milhões de micros vendidos, o que deu ao nosso país a quinta posição no ranking mundial.

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