Um cabo, um note. E 2 TKs voltam à vida

Quem acompanha este Versão Zero conhece nossa admiração pelos micros de 8 bits. Por isso, compartilhamos aqui dois momentos de glória, em que demos vida a máquinas que fizeram a festa de muita gente na década de 1980. Confira.

TK2000 com “Hero” – O TK2000 foi fabricado pela empresa paulista Microdigital a partir de 1984. Era [...]

Quem acompanha este Versão Zero conhece nossa admiração pelos micros de 8 bits. Por isso, compartilhamos aqui dois momentos de glória, em que demos vida a máquinas que fizeram a festa de muita gente na década de 1980. Confira.

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TK2000 com “Hero” – O TK2000 foi fabricado pela empresa paulista Microdigital a partir de 1984. Era para ser compatível com o Apple II+, mas com algumas diferenças que impediam o uso direto de acessórios e periféricos deste último. A versão que temos é a TK2000 II, lançada em 1985, que tinha 64 Kb de memória. Como não temos drive de disquete (a interface é raríssima de achar), temos que carregar programas usando as portas de cassete Ear e Mic do TK. Obtivemos, na internet, o arquivo de áudio do jogo “Hero”. Com ajuda de um emulador do TK2000 feito em Java e de um cabinho de áudio mono, conseguimos “tocar” o tal arquivo a partir de um notebook e “ouvi-lo” no TK, como se estivéssemos usando uma fita cassete. Após algumas tentativas, deu certo. Embora a imagem ficasse mais nítida usando a saída Monitor, optamos pela saída TV para obter o som do game.

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TK85 com 3D Monster Maze – Mesmo notebook, mesmo cabinho de áudio… E um programa diferente, também em Java, que “toca” arquivos binários de áudio. Foi assim que conseguimos carregar, num TK85 de 16 Kb, o programa “3D Monster Maze”, um cĺássico dessa plataforma. Este, aliás, é um TK que foi “tunado” pelo próprio Versão Zero, pois conta com saída de vídeo composto (os originais tinham saída RF). Note que a baixa resolução do micrinho da Microdigital (64 x 44 pontos) não impediu que o programador emulasse um ambiente tridimensional. O desafio do jogo, feito para o Sinclair ZX81, é escapar do labirinto sem ser pego pelo Tiranossauro Rex. Mesmo sem som e em preto e branco, o joguinho tem lá seu suspense – e a jogabilidade até surpreende, dadas as limitações extremas de hardware. O TK, acredite, tinha um processador de 3,25 MHz.

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Teste Retrô: TK90X (1985)

Em junho de 1985, chegava ao mercado mais um microcomputador brasileiro, filhote da reserva de mercado: o TK90X. Parte do acervo deste Versão Zero, a unidade 35.002 é o novo alvo do Retro-review – Teste Retrô, série que apresenta as máquinas que fizeram a história da informática brasileira.
O TK90X foi o segundo melhor computador Sinclair-compatível [...]

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Em junho de 1985, chegava ao mercado mais um microcomputador brasileiro, filhote da reserva de mercado: o TK90X. Parte do acervo deste Versão Zero, a unidade 35.002 é o novo alvo do Retro-review – Teste Retrô, série que apresenta as máquinas que fizeram a história da informática brasileira.

O TK90X foi o segundo melhor computador Sinclair-compatível produzido pela Microdigital. O melhor foi o TK95, com teclado de verdade. Por dentro, contudo, eram iguais – e tinham a imagem em cores na TV como diferencial. Os outros – TK80, TK82C, TK83 e TK85 – usavam o mesmo Basic, mas tinham bem menos memória e eram (snif!) em preto e branco.

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O TK90X é cópia de um computador inglês, o ZX Spectrum da Sinclair Research. Voltados para iniciantes, os computadores TK eram os mais baratos do mercado. Isso não queria dizer acessível. Segundo o fansite TK90X, na época do lançamento o modelo de 48 KB custava Cr$ 1.749.850. Na época, o salário mínimo era de Cr$ 333 mil.

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Não era, portanto, brinquedo de filho de operário. Mas era um brinquedo. Caixa de plástico, teclado de borracha, fonte externa, sinalização de silk screen que apagava com o tempo eram suas características. Mas ele entendia Basic, e com ele técnicos e engenheiros tinham uma potente calculadora programável.

O visor dessa calculadora tinha que ser uma TV. O TK90X ligava-se ao “monitor” por um cabo RF (radiofreqüência), tal como o videogame Atari. Era preciso sintonizar a TV no canal 3 para enxergar a tela do TK. Para guardar e carregar programas e dados, era preciso usar um gravador e fitas cassete.

Para devolver a vida ao TK, usei um televisor de tubo Philips e um gravador portátil Panasonic RQ-L31, comprado há dois anos. Encontrei algumas fitas velhas com programas da época, mas a única que funcionou a contento foi a fita “Arco Íris”, com um curso sobre o TK e que era enviada junto com o aparelho.

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Tal como fiz com o Apple da Milmar, escrevi um programa em Basic para cálculo de fatorial. Aliás, digitar no TK é um pouco diferente, já que cada tecla tem diversas funções. Para digitar o comando Print, por exemplo, não se escreve letra a letra; basta teclar P. Outras funções são acessíveis apertando as teclas Caps Shift e Symbol Shift.

E não é que o sistema funciona? Além de poupar digitação, as funçõezinhas pré-programadas e impressas no teclado transformam a programação num divertido jogo de caça-palavras. Quem não está acostumado fica procurando por elas no teclado. As pintadas em vermelho são as mais difíceis de achar sob luz fraca.

Usar o cassete foi outra aventura. Para minha alegria, a carga da fita “Arco Íris” funcionou na primeira. Gravar meu programa de fatorial (usei uma fita nova) também foi moleza. Mas quem disse que eu conseguia carregá-lo de novo? Foi preciso uma sessão de ajustes no volume para encontrar o ponto ideal de leitura. Depois de seis ou sete tentativas, deu certo.

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Não é o caso de dizer que o TK é ruim. Um estudante de Exatas da época iria se maravilhar com a coisa. Imagine fazer integração numérica, cálculos estatísticos, aproximações polinomiais de funções, resolução de sistemas com matrizes e interpolações com qualquer técnica, sem precisar ir à Nasa!

Muitos periféricos foram prometidos para o TK. Impressora, leitor de disquetes… Coisas que só cheguei a ver em revistas. Alguns foram realmente lançados, mas o preço proibitivo (a impressora térmica custava bem mais que o computador) fez deles itens raros, muito raros. A Microdigital ainda iria produzir clones de Apple, de videogame e de PC.

Teste Versão Zero: TK90X
Processador Z80A de 3,58 Mhz
RAM 48 KB
Teclado Borracha, 40 teclas
Vídeo TV, 24 linhas x 32 colunas
Resolução 256 x 192 pixels
Fonte 9 volts DC, 600 mA
Lançamento Junho de 1985
Fonte: www.tk90x.com.br

Uma curiosidade: sabe qual foi o último produto da Microdigital antes de fechar? Um teclado musical. De brinquedo…

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