Em junho de 1985, chegava ao mercado mais um microcomputador brasileiro, filhote da reserva de mercado: o TK90X. Parte do acervo deste Versão Zero, a unidade 35.002 é o novo alvo do Retro-review – Teste Retrô, série que apresenta as máquinas que fizeram a história da informática brasileira.
O TK90X foi o segundo melhor computador Sinclair-compatível [...]

Em junho de 1985, chegava ao mercado mais um microcomputador brasileiro, filhote da reserva de mercado: o TK90X. Parte do acervo deste Versão Zero, a unidade 35.002 é o novo alvo do Retro-review – Teste Retrô, série que apresenta as máquinas que fizeram a história da informática brasileira.
O TK90X foi o segundo melhor computador Sinclair-compatível produzido pela Microdigital. O melhor foi o TK95, com teclado de verdade. Por dentro, contudo, eram iguais – e tinham a imagem em cores na TV como diferencial. Os outros – TK80, TK82C, TK83 e TK85 – usavam o mesmo Basic, mas tinham bem menos memória e eram (snif!) em preto e branco.
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O TK90X é cópia de um computador inglês, o ZX Spectrum da Sinclair Research. Voltados para iniciantes, os computadores TK eram os mais baratos do mercado. Isso não queria dizer acessível. Segundo o fansite TK90X, na época do lançamento o modelo de 48 KB custava Cr$ 1.749.850. Na época, o salário mínimo era de Cr$ 333 mil.

Não era, portanto, brinquedo de filho de operário. Mas era um brinquedo. Caixa de plástico, teclado de borracha, fonte externa, sinalização de silk screen que apagava com o tempo eram suas características. Mas ele entendia Basic, e com ele técnicos e engenheiros tinham uma potente calculadora programável.
O visor dessa calculadora tinha que ser uma TV. O TK90X ligava-se ao “monitor” por um cabo RF (radiofreqüência), tal como o videogame Atari. Era preciso sintonizar a TV no canal 3 para enxergar a tela do TK. Para guardar e carregar programas e dados, era preciso usar um gravador e fitas cassete.
Para devolver a vida ao TK, usei um televisor de tubo Philips e um gravador portátil Panasonic RQ-L31, comprado há dois anos. Encontrei algumas fitas velhas com programas da época, mas a única que funcionou a contento foi a fita “Arco Íris”, com um curso sobre o TK e que era enviada junto com o aparelho.

Tal como fiz com o Apple da Milmar, escrevi um programa em Basic para cálculo de fatorial. Aliás, digitar no TK é um pouco diferente, já que cada tecla tem diversas funções. Para digitar o comando Print, por exemplo, não se escreve letra a letra; basta teclar P. Outras funções são acessíveis apertando as teclas Caps Shift e Symbol Shift.
E não é que o sistema funciona? Além de poupar digitação, as funçõezinhas pré-programadas e impressas no teclado transformam a programação num divertido jogo de caça-palavras. Quem não está acostumado fica procurando por elas no teclado. As pintadas em vermelho são as mais difíceis de achar sob luz fraca.
Usar o cassete foi outra aventura. Para minha alegria, a carga da fita “Arco Íris” funcionou na primeira. Gravar meu programa de fatorial (usei uma fita nova) também foi moleza. Mas quem disse que eu conseguia carregá-lo de novo? Foi preciso uma sessão de ajustes no volume para encontrar o ponto ideal de leitura. Depois de seis ou sete tentativas, deu certo.

Não é o caso de dizer que o TK é ruim. Um estudante de Exatas da época iria se maravilhar com a coisa. Imagine fazer integração numérica, cálculos estatísticos, aproximações polinomiais de funções, resolução de sistemas com matrizes e interpolações com qualquer técnica, sem precisar ir à Nasa!
Muitos periféricos foram prometidos para o TK. Impressora, leitor de disquetes… Coisas que só cheguei a ver em revistas. Alguns foram realmente lançados, mas o preço proibitivo (a impressora térmica custava bem mais que o computador) fez deles itens raros, muito raros. A Microdigital ainda iria produzir clones de Apple, de videogame e de PC.
| Teste Versão Zero: TK90X |
| Processador |
Z80A de 3,58 Mhz |
| RAM |
48 KB |
| Teclado |
Borracha, 40 teclas |
| Vídeo |
TV, 24 linhas x 32 colunas |
| Resolução |
256 x 192 pixels |
| Fonte |
9 volts DC, 600 mA |
| Lançamento |
Junho de 1985 |
| Fonte: www.tk90x.com.br |
Uma curiosidade: sabe qual foi o último produto da Microdigital antes de fechar? Um teclado musical. De brinquedo…