Em meio à leitura de “Super Crunchers”, encontrei uma referência ao que bem pode ser o primeiro filme romântico em que um computador aparece como protagonista. Trata-se de ”Amor Eletrônico” (Desk Set), de 1957, estrelado por Katharine Hepburn e Spencer Tracy – além de Emmerac, o computador.
No filme, Bunny Watson (Katharine) é a chefe do departamento de pesquisas [...]

Em meio à leitura de “Super Crunchers”, encontrei uma referência ao que bem pode ser o primeiro filme romântico em que um computador aparece como protagonista. Trata-se de ”Amor Eletrônico” (Desk Set), de 1957, estrelado por Katharine Hepburn e Spencer Tracy – além de Emmerac, o computador.
No filme, Bunny Watson (Katharine) é a chefe do departamento de pesquisas de uma rede de TV. Ela e suas três assistentes têm como trabalho responder a dúvidas dos produtores e dos jornalistas, com base em uma biblioteca reservada repleta de estatísticas, citações e almanaques.
Eis que chega o computador – e, com ele, o “especialista em eficiência” Richard Sumner (Tracy), precursor do que conheceríamos depois como analista de sistemas. Como se pode esperar de um filme desses, da aparente rivalidade entre Richard e Bunny nasce o romance que dará sentido ao filme.

Mas há algo mais em “Amor Eletrônico”, que não teve pudor em estampar logo nos créditos iniciais um agradecimento profundo à IBM (ver foto acima).
Que, talvez, tenha a ver com o tom didático de certas cenas, como a que apresenta a chegada do mainframe à biblioteca – nela, uma zelosa operadora dá sucessivas broncas às assistentes de Bunny, por trazerem pó ao ambiente, deixarem a porta aberta e fumarem dentro da sala.
A impressão que se tem, a essa altura, é que o filme foi usado para treinar os trabalhadores a lidar com o recém-chegado “cérebro eletrônico”. (Isso, aliás, é curioso: em nenhum momento os atores falam a palavra “computador” – preferem “electronic brain”.)
Um discurso mais intencional aparece quando as assistentes conversam sobre o medo de perderem seus empregos para a nova máquina. Sinais de uma tensão moderna, que se resolve no final com algum humor e um tom conciliatório – que, sabemos agora, não foi de todo verdadeiro.
Como diversão, “Amor Eletrônico” é para apreciadores do velho cinemão, visto que é um filme bem datado. Sua melhor qualidade, hoje, é funcionar como registro de uma época em que o computador começava a fazer parte do imaginário das pessoas. E profetizar o dia em que, por meio de um terminal, qualquer um pudesse fazer perguntas em linguagem natural, recebendo uma lista com as respostas relacionadas.
Google, quem diria, nasceu em 1957…

Fato curioso: “Amor Eletrônico” pode ser comprado em um DVD duplo, com um filme em cada face – o outro filme é “A Fonte dos Desejos”. Ou seja, lado B não é só coisa dos tempos de vinil!