
O colecionador: Apples no sótão
Muita coisa aconteceu em 1977. George Lucas lançou “Star Wars”, nevou em Miami, as bandas punk Sex Pistols e The Clash tornaram-se conhecidas, e a Apple começou a revolucionar a computação pessoal com seu Apple II. O problema é que muita gente nem tinha nascido, o que dá a tudo isso um ar de aula de história. Se esse é o seu caso e mesmo assim você se tornou fã da Apple e de seus produtos, então vale a pena assistir ao documentário “Welcome to Macintosh – The documentary for the rest of us” (2008), de Jeff Boca e Josh Rizzo.
“Welcome to Macintosh” fala da Apple e de suas principais criações, como o Apple II, o Mac clássico e o Lisa. E também de sua principal criatura, o carismático Steve Jobs. Mas nem Jobs, nem seu sócio, o cultuado nerd Steve Wozniak, foram ouvidos. Eles aparecem pelas falas de dezenas de entrevistados, muitos dos quais trabalhavam para a Apple à época do lançamento do Mac.
Como filme, “Welcome…” é um tanto pobre, e mesmo a história não traz muita coisa nova. Mas pode ter seu valor para quem está chegando agora. Seu maior mérito é aproveitar que as testemunhas do que se passou na Apple desde sua fundação estão vivas – e algumas, como o investidor Guy Kawasaki, que já foi o homem de marketing da Apple, já se sentem mais à vontade para falar o que pensam.
Curiosidades
Há, sim, algumas curiosidades, como a origem do primeiro logo da Apple – um escudo com Isaac Newton e a maçã em queda no centro -, concebido por Ron Wayne. Ou sobre a evolução do som que avisa a carga do sistema do Mac – que, segundo um engenheiro, deveria se comparar ao “primeiro grito de um recém-nascido”.
O filme nos leva a conhecer o dono da primeira loja a vender Macs, e a obsessão de um megacolecionador que mantém uma casa com centenas de peças, componentes e sistemas, incluindo dezenas de Apple II que entulham o sótão de sua casa no interior do Estado de Nova York.
Do inferno ao céu
Não dá para não refletir sobre a trajetória dessa empresa singular, que quase quebrou entre 1985 – ano da saída de Jobs – e 1997 – ano de seu retorno, e que de lá para cá não parou de surpreender. Primeiro foi o iMac, depois o iPod, para em seguida vir o iPhone – e sabe-se lá o que ainda estão a aprontar.
Kawasaki resume bem o espírito que anima a empresa. “A Apple é uma empresa de engenharia. Não é uma empresa de marketing. Se tem algo que a Apple não faz é perguntar a seus clientes o que eles querem.” Pensamento parecido com o do diretor de cinema Robert Altman, que disse certa vez, sobre roteiros baseados em pesquisas de mercado: “o público quer ver aquilo que nunca viu antes. Uma pesquisa nunca vai dizer a você o que eles querem ver.”
“Welcome to Macintosh” termina com uma pergunta: a Apple sobreviverá sem Steve Jobs? Por enquanto, não há como respondê-la. Mas, a depender da vontade de seus funcionários e da legião de fãs de seus produtos, a resposta é óbvia. História, pelo menos, ela já fez.
Welcome to Macintosh – The documentary for the rest of us, DVD/Region Free, US$ 19,84. Vende pela internet, com envio para qualquer país. www.welcometomacintosh.com


