
Quem gosta de carros (e mesmo quem não gosta) tem de ver “Quem matou o carro elétrico?” (2006). O documentário de Chris Paine conta a história do EV1 (foto), carro elétrico da GM lançado em 1996 e que foi recolhido do mercado em 2004. De forma inexplicável, diga-se: a GM alugava o carro e, um dia, decidiu que todos os contratos seriam cancelados. O destino dos veículos? Veja a foto abaixo.

No começo, pensei que o filme iria se resumir ao EV1. Mas o carro, mostra Paine – também ele ex-dono de um EV1 -, foi apenas a ponta de um iceberg construído sobre jogos de poder, que se desdobram até hoje. A entrevista com os atores desse jogo – governo, empresas, consumidores – não dá espaço para teorias da conspiração: quase todos foram culpados pela morte precoce do elétrico.
Curiosamente, um dos carros mais famosos hoje nos EUA é o Toyota Prius, que é híbrido. E o exemplo merece atenção. A tecnologia do EV1, ensina Paine, tinha potencial para fazer desmoronar toda uma indústria – no caso, a da distribuição dos combustíveis. Já o carro híbrido, movido a gasolina, com ajuda de um motor elétrico, não.
O preço do abandono foi alto. Paine sustenta a tese de que a timidez americana em abraçar essa tecnologia resultou na liderança japonesa do setor. Toyota e Honda já mostraram carros híbridos alimentados pela tomada, e a rapidez na evolução das baterias torna a adoção de carros elétricos uma questão de tempo.
E muito antes disso, no Brasil dos anos 80, um engenheiro paulista fabricava, com o apoio da Itaipu Binacional, carros elétricos. Mas essa é outra história, que todos sabemos como terminou.


