É provável que tenha me livrado dos toca-discos em 1999, durante mudança para um apartamento. Mas as “vitrolas” – uma velha Grundig, outra Gradiente DS-40 – podem ter ido antes, já que os CDs entraram em casa cedo, em 1988.
Boa parte dos discos de vinil também foram doados. Quem os levou foi um professor de História, que encheu seu velho Escort com uma pilha de gravações, de escolas de samba a Roberto Carlos.
Mas sobraram alguns – cerca de dez -, escolhidos a dedo, entre MPB, pop e rock. Foram estes que, mais de dez anos depois, voltaram à vida graças a um aparelho tinindo de novo: o toca-discos Ion Profile Flash.
A volta do vinil
Já vinha acompanhando por algum tempo a volta dos discos de vinil. Nos países mais ricos, a indústria percebeu logo o novo filão.
A Sony, por exemplo, vende desde 2008 seu toca-discos PS-LX300USB – que, como o nome indica, pode ser ligado a um PC via porta USB. (Ele recebeu a companhia de outros dois modelos, o PS-LX250H e o PS-LX350H, ambos sem USB.)
O problema ainda era o preço. Se nos Estados Unidos estes aparelhos custam entre 80 e 200 dólares, no Brasil seu valor beira os mil reais.
O sonho de voltar a ter um toca-discos novinho teve de ser adiado até este ano, quando, numa viagem aos EUA, pude conhecer a linha Ion Profile.
Dois modelos estavam à venda: o Ion Profile LP – um toca-discos USB parecido com o PS-LX300USB – e o Ion Profile Flash, que não tem conexão USB porque oferece uma comodidade em princípio mais atraente: a conversão imediata de vinil para MP3, bastando encaixar um pen drive ou cartão SD.
Seus preços de lista eram de 100 dólares para o Profile e de 150 dólares para o Profile Flash. Mas era dia de promoção, e o Profile Flash pôde ser comprado por 100 dólares (detalhe: era a última caixa do estoque).
O que esperar
Toca-discos na mão, foi preciso esperar até a chegada ao Brasil para fazê-la funcionar. O que sabíamos era: 1) que o Profile Flash seria capaz de converter gravações em vinil para o formato MP3; 2) que ele vinha com um pré-amplificador embutido (o que permitiria sua ligação direta na porta Auxiliar dos aparelhos de som); 3) que funcionaria em 110 V.
Mas não sabíamos, por exemplo, se ele também poderia ser ligado ao PC via porta USB, ou se viria com algum software; nem o bit rate do MP3 gerado pelo aparelho.
Caixa aberta, ficamos contentes de ver que o aparelho chegou inteiro. Havia o receio de que a tampa de acrílico poderia ter sido estragada no transporte. Mas não. E o acabamento da base, no estilo Black Piano, é bacana.
A parte de trás vem com os fios de áudio (L/R) ligados internamente, ou seja, não é possível destacá-los. Ligamos o Ion Profile Flash a um microssystem Sony, via porta auxiliar. O Ion não tem controle próprio de volume, logo o controle remoto do Sony seria de grande ajuda. Com o plugue na tomada, ligamos o aparelho com a chave que fica na parte de trás. Estava vivo!
Como saltar músicas?
Fazê-lo funcionar foi (e é) uma viagem no tempo. Para tocar um LP (sigla de Long Play, que é outro nome para os discos de vinil de “longa duração”), é preciso encaixar o disco no prato; levantar o braço da agulha (usando a alavanca); arrastar, com a mão, o braço sobre o disco; e descer o braço da agulha, novamente usando a alavanca (e tomando cuidado para a agulha não cair para fora do disco).
Quer saltar uma música? Levante-se, vá ao toca-discos, levante o braço da agulha, leve-o sobre a faixa que se quer tocar e desça o braço (da agulha, da agulha…).
Outra característica dos LPs é a diferença que pode haver na velocidade de rotação. Discos mais antigos tinham de ser tocados em 78 rotações por minuto (rpm); a partir dos anos 60, já se podiam ver discos de 33 1/2 rpm; eventualmente, alguns discos eram feitos para reprodução a 45 rpm. O Ion Profile Flash toca discos a 33 1/2 e a 45 rpm. Soube que há programas capazes de restaurar arquivos de áudio de discos de 78 rpm, que foram gravados a 33 rpm; mas não os encontramos.
MP3 sem o micro
Como dissemos, o Ion Profile Flash converte as músicas de vinil para MP3, sem ajuda do micro. O processo é, realmente, bem simples. Com o toca-discos ligado, você encaixa um pen drive (ou cartão SD) nas ranhuras indicadas no painel frontal.
Um display LCD com iluminação verde tentará mostrar o número de pastas e de músicas gravadas na memória, se houver. Para gravar, aperta-se Rec; mas a gravação só começará quando se apertar Play/Pause. Faça o disco tocar e, assim que a agulha tocar no vinil, aperte Play/Pause. A gravação começará.
O processo automático termina aí. É que o toca-discos não é capaz de perceber, por exemplo, quando uma música termina e outra começa.
Split Track
Você pode deixar a gravação rolar solta e gerar um único arquivo de áudio (que poderá, depois, ser editado/recortado no PC). Mas se quiser evitar esse trabalho, terá que se levantar e apertar Split Track a cada pausa entre músicas. No fim de tudo, aperte Stop.
Nesse momento, a pasta que você criou ao apertar Rec será fechada e, se quiser gravar o lado B, terá que repetir o processo (criando, assim, uma nova pasta no pen drive). Como se esperaria, o toca-discos Ion Profile Flash também é um MP3 player e pode tocar as músicas que você acabou de gravar.
Com bit rate fixo de 192 kbps, o áudio tem qualidade equivalente ao do LP. Isso quer dizer que os graves podem parecer um tanto saturados, e os efeitos de cliques característicos do vinil aparecerão também no MP3. É bom lembrar que, para uma boa gravação, o vinil deverá estar em bom estado, limpo e sem riscos.
Aliás, sujeira é o que mais atrapalha, pois depois de alguns minutos de execução do disco o pó da superfície do vinil começa a se acumular na agulha, atrapalhando a reprodução. Se os discos estiveram guardados por muito tempo, recomenda-se limpar os discos com uma flanela seca, e examine se há acúmulo de poeira na agulha depois de cada execução.
De cassete para MP3
O Ion Profile Flash traz ainda um bônus, se é que podemos chamar assim: uma entrada traseira estéreo, para plug de 3,5 mm, que pode ser usada para conversão de outras fontes de áudio em MP3.
Aqui, ela foi usada para converter áudio de uma velha fitas cassete. Para tocá-la, usamos um “walkman” Aiwa, que foi ligado ao Ion Profile Flash por meio de um cabo macho-macho (da saída de fone de ouvido à entrada estéreo do toca-discos).
O Profile Flash “percebe” a conexão por meio de um aviso no LCD frontal. O processo de conversão é semelhante ao do LP: Rec, Play no “walkman”, Play, Stop (ou Split Track).
Conclusão
No fim das contas, o Ion Profile Flash cumpriu o que prometeu: uma conversão de mídias antigas para MP3 de forma descomplicada.
De que sentimos falta? Primeiro, de um controle remoto (para o tocador de Mp3); depois, de um ajuste de bit rate (embora 192 kbps seja bastante aceitável); por último, de um preço mais razoável no Brasil (no país, o modelo mais simples, Profile LP, pode ser encontrado em importadores independentes a partir de 538 reais).
Sem aparelhos desse tipo, o audiófilo dependerá de toca-discos de segunda mão, fabricados nos anos 1980. É pena.
















O controle remoto também poderia ser mais amigável. Não há um botão direto para ativar o Closed Caption, por exemplo. Na verdade, boa parte dos recursos depende de um longo passeio pelas opções do menu – são tantas as opções que melhor seria se tivéssemos um mouse. Vale gastar um tempinho para se familiarizar com os comandos.
Em termos de conexões, esta Regza é generosa. Há 3 entradas HDMI, uma delas na lateral (e lembre-se, nas outras TVs uma delas já seria ocupada pelo conversor digital). Duas saídas de áudio digital, coaxial e óptica, permitem ligar a Regza a um amplificador/decodificador de home theater.






















