Houve um tempo em que se acreditava no poder da linguagem de programação Basic para levar a computação às massas. Computadores pessoais vinham com um interpretador Basic embutido e crianças eram levadas pelos pais a cursos livres de programação. E mais: alguns fabricantes decidiram que Basic era bom também para calculadoras. Dessa época, como se tivesse sido tirada do portaluvas de um certo DeLorean, veio uma reluzente Casio PB-110, cujo teste você vê aqui no Versão Zero.
Este exemplar veio das mãos do amigo Miguel Pragier, que a deu como um dos mais incríveis presentes de aniversário que já ganhei. Ia dizer que ela está praticamente nova. Mas não: está realmente nova. Vidro, painel, capa, manuais – tudo impecável, já que ela nunca foi realmente utilizada.
Passado o espanto inicial de ver uma máquina tão antiga e, ao mesmo tempo, tão nova, tínhamos a obrigação de colocar baterias para vê-la funcionar. Já tive surpresas ruins em ressuscitação de computadores e calculadoras antigas, e capacitores que estouram não são novidade para quem se aventura por tais caminhos. Felizmente não foi o caso da PB-110. Foi só abri-la, encaixar as duas baterias CR-2032, fechar a tampa e ligá-la. A mensagem “Ready P0” não deixou dúvidas – 26 anos após sua fabricação, a máquina ainda estava viva.
Computadores pessoais?
É curioso que máquinas como a PB-110 tivessem sido apresentadas ao mercado como computadores pessoais. Mas é o que consta na caixa e nos manuais. Algumas coisas, de fato, a distanciavam das calculadoras científicas, e não era só pela linguagem Basic. Acessórios opcionais permitiam a conexão de um gravador cassete (para gravar e ler programas e dados) e de uma pequena impressora.
O uso do Basic torna a PB-110 (e outras do gênero) bastante singular. Para explicar: numa calculadora convencional, por exemplo, você teria de apertar as teclas três, zero e “sin” se quisesse saber o seno de um ângulo de 30 graus. Na PB-110, você tem de escrever, com o teclado alfanumérico, “sin30” e apertar a tecla EXE (de Execute). É por isso que não há funções matemáticas associadas aos botões – você é que precisa decorar as funções do Basic. Da mesma forma, para calcular o quadrado do seno de 30 graus na calculadora comum, você teria de pressionar três-zero-sin-x2, obtendo 0.25. Na PB-110, isso equivale a “sin30^2”.
O painel da PB-110 é bem, bem pequeno: tem 16 cm de largura por 7 cm de comprimento. Mesmo assim, é capaz de certos milagres. O pequeno teclado Querty permite chavear entre maiúsculas, minúsculas e caracteres especiais, como as letras gregas sigma, ômega e mi. A tecla Mode, no teclado numérico, permite configurar alguns aspectos da máquina, como o tipo de ângulo (grau, radiano e grado) e a partição de memória utilizada.
Memória em passos
A área de RAM tem 544 passos e 26 memórias (variáveis). Pode-se expandir sua memória para 1.568 passos/222 memórias mediante a instalação de um módulo de hardware. Bem, mas quanto é isso? O manual explica: numa instrução tão simples quanto “10 INPUT A”, o número de linha (10) ocupa dois passos; a instrução INPUT ocupa um passo; e o nome da variável A ocupa um passo. O caracter de fim da linha (EXE) também ocupa um passo.Total da linha: cinco passos.
Ah, e lembra a mensagem inicial “Ready P0” que aparece quando ligamos a PB-110? P0 (pê-zero) identifica uma das dez partições da memória. É um tipo de organização que visa permitir o armazenamento de mais de um programa. (Na maioria dos micros da época, só era possível carregar um programa por vez na memória. Havia truques de programação para burlar essa limitação, mas isso é outra história.) Isso quer dizer que você poderia ter até dez programas para acesso imediato – desde que a soma de seus passos não exceda a capacidade da memória.
Dizer que a PB-110 “fala” Basic é impreciso. Na verdade, ela entende um dialeto limitado do Basic, embora surpreenda pela inclusão de comandos como READ e DATA (que outros micros, como o Sinclair, não tinham). Em termos de tipos de variáveis, só existem três – números, strings e matrizes unidimensionais –, sendo que as strings não podem ter mais de sete caracteres. Mais: a cada uma das 26 variáveis numéricas possíveis é associada uma letra do alfabeto, de A a Z, e essa mesma área servirá para as variáveis das matrizes. Imagine uma matriz A com dois elementos, A(0) e A(1); se você der o comando PRINT B, verá o conteúdo de A(1).
O bom e velho fatorial
Como já fizemos em outras ocasiões (e com outros micros antigos), digitamos um programinha Basic para cálculo de fatorial (n!) só para conferir a velocidade do micrinho. O programa, que consumiu 38 passos, ficou assim:
Daí, pedimos o cálculo de 69!, só para compararmos com outro teste, feito com a calculadora TI-66. A PB-110 entregou o resultado em 3 segundos cronometrados. Programada, a TI-66 levou absurdos 49 segundos. Para comparar, a calculadora escolar Sharp EL-501W, atualmente à venda, levou 0,6 segundo para realizar o mesmo cálculo!
E, só para pegar um pouco do espírito da época, tentamos reescrever o programa acima, juntando linhas para economizar memória. O resultado,
consumiu 32 passos, seis a menos que a primeira versão – ganhamos dois bytes a cada número de linha eliminado (óóó…), mas em contrapartida o programa ficou mais difícil de ler. Programar na década de 1980 era isso aí. Quer moleza? Vai programar em Delphi.
















O controle remoto também poderia ser mais amigável. Não há um botão direto para ativar o Closed Caption, por exemplo. Na verdade, boa parte dos recursos depende de um longo passeio pelas opções do menu – são tantas as opções que melhor seria se tivéssemos um mouse. Vale gastar um tempinho para se familiarizar com os comandos.
Em termos de conexões, esta Regza é generosa. Há 3 entradas HDMI, uma delas na lateral (e lembre-se, nas outras TVs uma delas já seria ocupada pelo conversor digital). Duas saídas de áudio digital, coaxial e óptica, permitem ligar a Regza a um amplificador/decodificador de home theater.












