Dizer que no Brasil faltam profissionais para computadores de grande porte, os chamados mainframes, tornou-se lugar comum. Ainda mais quando se lembra que há um grande investimento nessas máquinas no país. O IDC nos aponta como o sexto maior mercado mundial de mainframe, perdendo apenas para EUA, Japão, Alemanha, França e Itália (não necessariamente nesta ordem). Mas isso não quer dizer que as empresas aceitem qualquer profissional.
Além da tradicional linguagem Cobol, os empregadores – na maioria, contratantes de mão-de-obra para grandes empresas – exigem conhecimentos de bancos de dados Adabas, Oracle e DB2, JCL (linguagem de execução batch de ambientes IBM – um tipo de arquivo de comandos DOS para mainframe) e CICS.
Para quem aprendeu Cobol na faculdade usando um compilador no PC, as chances não são boas. E gente assim não falta. Uma pesquisa rápida no site Apinfo, espécie de caderno de empregos para profissionais de TI, revela que há mais de mil profissionais aptos a programar em Cobol – 1.402, segundo levantamento de 2 de setembro -, e a maioria deles está no Estado de São Paulo (ver gráfico).
Vagas raras
Ora, se há tantos profissionais disponíveis, por que o discurso de escassez se propaga com tanta facilidade? Bem, é preciso admitir que muitos desses profissionais podem estar empregados em atividades ligadas a mainframes. Mesmo assim, o número de candidatos inscritos no site Apinfo é bem maior que a oferta de vagas, que raramente ultrapassa 3 por dia.
Há, porém, mais um fator: o da distribuição geográfica. Em número de profissionais, São Paulo parece terrivelmente saturada: dos 1.402 currículos de programador Cobol no site Apinfo, 1.168 têm base no Estado. O segundo Estado com mais oferta de profissionais, o Paraná, conta com menos de 100 currículos. Apenas 7 Estados têm mais de 10 currículos cadastrados.
Tiramos daí duas conclusões. A primeira é que as empresas parecem buscar um profissional que já não existe mais, e se recusam a treinar ou a aceitar pessoas com menos experiência (sinal de falta de tolerância?). A segunda é que, para quem tem essa experiência, sair de São Paulo pode ser um bom negócio – em muitos Estados do Norte e do Nordeste, a oferta de programadores Cobol é zero. Quem topa?



23 de September de 2009 às 21:10
Treinar é uma coisa que raramente existe, eu acredito mesmo que o que acontece é a busca por um profissional que não existe mais: ou se aposentou ou (como diria um professor meu de COBOL na fatec/sp dirira) morreu!
Mas tendo um pouco de cara-de-pau, pode-se enviar o curriculo mesmo assim, quem sabe não dá sorte de pegar um treinamento? E também, pode-se aprender DB2 em casa, com as versões Express da IBM, mas juntar DB2 com COBOL só onde tem um MainFrame.
Essa procura por profissionais que não existem não é novidade, quantas vezes não vi no próprio APInfo: profissional com conhecimentos em Java, Delphi, VB6, HTML, CSS, ASP e Banco de Dados. Caramba! Quem sabe tudo isso ? rsrs