Petrobras defende-se de CPI em blog

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A Petrobras, empresa brasileira de petróleo controlada pelo Governo Federal, lançou e vem mantendo na web um blog próprio. Publicado na plataforma gratuita Wordpress, esse blog tem o objetivo de apresentar “fatos e dados recentes” da empresa, além de responder a questões levantadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada pelo Congresso Nacional, em Brasília, para investigar supostas irregularidades na gestão da gigante estatal, que é uma das maiores empresas do mundo.

A julgar pelo número de comentários e pela repercussão, pode-se dizer que o blog – para a empresa – é um sucesso. Algumas decisões, contudo, têm causado polêmica. Exemplo é a decisão da Petrobras de publicar as consultas feitas por jornalistas, antes que elas virem matéria.

A decisão não é ruim. Principalmente para o leitor, que poderá eventualmente comparar a resposta da empresa na íntegra com aquela que foi publicada pelo jornal ou revista.

Mas a Associação Nacional dos Jornais não pensa assim. Tanto que emitiu uma nota oficial lamentando a decisão, que segundo a entidade caracterizaria uma “quebra de confidencialidade entre o jornalista e sua fonte”.

Nem tanto, nem tanto, diz Claudio Weber Abramo, da ONG Transparência Brasil. Ele lembra que a confidencialidade foi estabelecida para proteger a fonte de represálias em apurações delicadas. Mas muitas fontes se queixam de ver suas declarações simplificadas ou mesmo alteradas nos textos finais publicados pelos veículos de comunicação. O blog seria, assim, uma forma de resguardo do direito da fonte, e não outra coisa.

Em que pese a novidade de uma gigante como a Petrobras utilizar blog e Twitter (em @blogpetrobras) para se comunicar diretamente com o público interessado, é preciso cautela. Afinal, nem o jornal é 100% preciso (ele é resultado, acima de tudo, de um processo industrial limitado por tempo e recursos), nem o discurso da empresa é 100% revelador (quem esperaria encontrar admissão de culpa num blog oficial?).

A novidade é de se comemorar. Mas daí a acreditar piamente num ou noutro discurso é no mínimo ingenuidade – coisa que na web, bem sabemos, é o maior dos perigos.

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