Dia firme e seco. Volto da Rua Santa Ifigênia, no centro de São Paulo, rumo ao Parque Dom Pedro. No caminho, atravesso o quase centenário Viaduto Santa Ifigênia, que, vigiado numa ponta pela Polícia Militar e na outra pela Guarda Civil, tem pouquíssimos ambulantes. Entre brinquedos, tocadores de MP3 e utensílios domésticos, passo por um ambulante que berra a uma platéia atenta: “TV digital, TV digital“.
O tempo quente desse inverno semi-árido abafa minha curiosidade. Passo sem desviar os olhos, pensando nos coitados que têm sua carteira surrupiada nesses aglomerados de gente simples. No entanto, pensei, será que aquele camelô estava demonstrando a recepção do sinal de TV digital?
Mesmo já tendo alcançado o Largo São Bento, decidi dar meia-volta. E entendi o que se passava. O tal ambulante vendia antenas UHF com um circuito eletrônico que promete melhorar a recepção. Design horrível, eficácia incerta, e mesmo assim o homem estava cercado de curiosos.
Não era a vez da TV digital. Mas e se fosse? Não seria interessante ver a reação do povo? Aquele homem, de voz já rouca e com a cara do Genival Lacerda, faria mais pela popularização dos conversores do que todas as matérias de jornal já publicadas. Estratégia ousada, sem dúvida.
Quem se habilita?



