Leio com algum espanto, aqui, que o governo de Portugal teria encomendado 500 mil notebooks do modelo Classnote PC, da Intel, para uso educacional.
É mais ou menos a idéia que nosso governo tinha, até o começo deste ano, de equipar as escolas públicas com notebooks educacionais.
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O projeto brasileiro foi engavetado: o governo achou o preço, de pouco mais de 600 reais por peça (a melhor oferta havia sido feita pela Positivo), alto demais.
Em Portugal, no entanto, parece que a coisa vingou – ou melhor, passou mais fácil. O Magalhães, como foi batizado o micrinho, será produzido em Portugal, mediante parceria entre a Intel – dona do projeto – e o grupo industrial JP Sá Couto, que para fabricá-lo se associou a outra empresa portuguesa, chamada Prológica (que, curiosamente, tem o mesmo nome de uma antiga fabricante brasileira de PCs).
O tom do anúncio é de festa, pois mil novos empregos serão criados. E o micrinho – alardeado como o “primeiro computador portátil português” – custará, no máximo, 50 euros (125 reais).
Preço depende da renda familiar
A mágica portuguesa é a seguinte. O Magalhães será parte do projeto português de inclusão digital escolar, chamado e-escola. O governo classificou os alunos em três grupos, de acordo com as condições financeiras.
Quem tem mais condições, paga 50 euros por peça. Os da faixa intermediária pagarão 20 euros (50 reais). Os mais necessitados terão o micrinho de graça.
O fabricante, JP Sá Couto, declarou que o custo de produção é de 180 euros (450 reais). A diferença será paga pelo governo e pelas empresas envolvidas.
A meta portuguesa com esse projeto, chamado e-escolinhas, é distribuir 500 mil Magalhães aos alunos das séries iniciais do ciclo básico, que têm entre 6 e 11 anos. Ao contrário do e-escola, no e-escolinhas a conexão com a internet é opcional.
Ainda se discute qual sistema operacional será utilizado no bichinho – se Windows (o mais provável) ou Linux. Os mais críticos desabam referências ao ufanismo do “primeiro portátil português” – afinal, trata-se da plataforma Classmate PC.
De qualquer forma, quem queria ver as crianças brincando com notebook na sala de aula conseguiu ter seu sonho realizado. Será um bom laboratório das coisas que, algum dia, poderão ocorrer também por aqui.






