Ainda não sabemos ao certo o que causou o apagão que deixou boa parte do Estado de São Paulo sem internet entre 2/7 e 4/7/2008. A Telefônica, responsável pelo serviço que deu pane, continua a dizer que tem investigado o incidente, mas que por enquanto desconhece suas causas. O presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente, foi à TV ontem à noite (no telejornal da TV Globo) e disse que a empresa não descarta nem um “ataque hacker”.
Não sabemos a causa, mas sentimos as conseqüências. A pane impediu a prestação plena de diversos serviços públicos, como o registro de ocorrências pela polícia e o atendimento do INSS e das agências do Poupatempo. Casas lotéricas – que, além de fazerem apostas, também recebem contas e carregam bilhetes eletrônicos de transporte público – deixaram de funcionar. E algumas agências bancárias também saíram do ar.
No caos, piada vira profecia
O lado irônico dessa história é que há um ano o site Cocadaboa plantou uma notícia falsa sobre um tal “apagão da internet” no Brasil – que seria causado, entre outras razões, pela rápida “expansão da oferta de banda larga no país”. A tal história, que depois foi atribuída ao portal Terra, espalhou-se por meio de blogs e, no caminho, foi devidamente desmentida pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil. Isso não impediu que hoje ela voltasse a aparecer em novos blogs, agora como profecia cumprida.
Em setembro do ano passado, outra pegadinha – desta vez, da respeitável Symantec. Um novo sistema de alertas fez com que milhares de usuários recebessem um e-mail avisando sobre o colapso iminente da internet mundial, classificado pela empresa como nível 4, o mais perigoso. Horas depois, veio o desmentido: tratava-se apenas de um teste – na verdade, até hoje nunca tivemos uma situação de nível 4.
Entre janeiro e fevereiro deste ano, contudo, houve um problema sério envolvendo a internet. Os cabos submarinos da costa do Mediterrâneo sob domínio do Egito foram rompidos, e boa parte do Oriente Médio e da Índia ficou sem conexão com a Europa. O tráfego foi logo remanejado para outras rotas, que ficaram sobrecarregadas.
Em muitos casos, as causas de acidentes como o que isolou o Oriente Médio se devem ao tráfego marítimo, a tempestades ou até a mordidas de tubarão. Como em São Paulo essas hipóteses podem ser descartadas, ficamos com a dúvida – até que alguém da Telefônica se disponha a explicar exatamente o que ocorreu e como foi consertado. E não vale dizer que “desligou, ligou, funcionou”…




4 de July de 2008 às 14:54
[...] O dia em que São Paulo virou uma ilha [...]