A TV digital brasileira pega ou não pega? Para muitos, a questão não passa apenas pelo preço do conversor, mas também pela confusão formada em torno do novo sistema. Sobre o tema, Versão Zero ouviu a diretora de Marketing da Aiko, Natalie Kryss.
Como já revelaram outros executivos do setor, Natalie admitiu que as vendas de [...]

A TV digital brasileira pega ou não pega? Para muitos, a questão não passa apenas pelo preço do conversor, mas também pela confusão formada em torno do novo sistema. Sobre o tema, Versão Zero ouviu a diretora de Marketing da Aiko, Natalie Kryss.
Como já revelaram outros executivos do setor, Natalie admitiu que as vendas de conversores têm sido “aquém do esperado” – resultado que ela atribui, entre outros fatores, ao “atraso significativo” da ampliação do sinal digital para mais regiões do país.
Leia mais sobre TV digital
>> Conversor popular: será que vem?
>> Teste: Receptor de TV digital Aiko DT-0818
E os conversores, por que são caros? Segundo Natalie, a resposta está nos investimentos que toda tecnologia nova exige. “O preço do conversor vai cair naturalmente com o tempo, tal como ocorreu com o celular e o DVD”, explica.
Por que digital
Há outra razão, suspeita Natalie, que pode explicar o baixo interesse pelos conversores. “Não ficou bem claro quais são as vantagens do conversor para quem possui um aparelho tradicional, de tubo, e tem na televisão sua principal forma de lazer. Ficou a impressão que TV digital é sinônimo de alta definição, acessível somente para quem tem aparelhos de tela plana.”
De fato, muitas reportagens feitas à época do lançamento da TV digital em São Paulo alardearam os recursos de alta definição – que, até hoje, é oferecida em caráter restrito – e de interatividade, que ainda sobrevive como promessa. Para complicar, o principal benefício para quem tem TV comum – a sintonia livre de chiados e chuviscos – é reduzido pelas áreas de sombra na cidade, como apontou um estudo de áreas de cobertura feito pela Philips.
E, como Versão Zero já teve oportunidade de comprovar, o inverso também acontece: há quem compre aparelhos de LCD ou plasma e pense que, por isso, irá ver imagens fantásticas. Na prática, os defeitos de imagem que nem apareciam nas TVs de tubo são ampliados, o que faz aumentar a desconfiança do consumidor.
No mínimo, um DVD
O que acontece é que mesmo o sinal digital padrão, que não é de alta definição, tem 480 linhas de resolução, qualidade equivalente à de um DVD. Já o sinal analógico chega ao TV com pouco mais de 200 linhas – a TV analógica tem resolução de 525 linhas, mas só metade disso é exibida em cada instante, num processo conhecido como entrelaçamento.
Se considerarmos o investimento, um conversor ideal deveria permitir a expansão da memória interna e a atualização de software, já que a cereja do bolo da TV digital – a interatividade, tarefa do software brasileiro Ginga – ainda não saiu dos laboratórios.
“Nossos conversores já estão preparados para o Ginga”, conta Natalie. “Faltam definições do governo e investimento das emissoras, mas, como o software interno dos produtos da Aiko é atualizável, o investimento do consumidor é preservado.”