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Acabo de assistir, no telejornal SPTV, a um atônito Chico Pinheiro questionando o major Ricardo de Barros, comandante do 34.o Batalhão da Polícia Militar de São Paulo, sobre os parcos 15 bafômetros que a polícia usa para fiscalizar o trânsito na maior cidade do país.
O major tinha acabado de dizer que os bafômetros são usados em blitze. Em uma noite, a policia escolhe 60 locais, permanecendo por lá cerca de 2 horas. Nesse período, ela diz testar 20 carros por local.
A 2.a edição do telejornal afirmou que a polícia comprou mais 45 bafômetros, que estariam em fase de certificação. Agora sim…
Chico Pinheiro fez uma conta rápida e concluiu que a polícia consegue, então, testar no máximo 1.200 motoristas – pouco, diante da frota de 6 milhões de veículos registrados na capital. O major alegou que a polícia é orientada por estatísticas – ou seja, atua nos locais onde os abusos ocorrem com mais freqüência.
Em que pese a racionalidade das estatísticas, pode-se entender que, se você não está nos pontos de concentração de jovens, o risco de ser pego dirigindo embriagado é muito pequeno – um sinal verde para a impunidade.
A vez do bafômetro
Curiosamente, a tecnologia está no centro da discussão sobre a aplicabilidade da nova lei de trânsito, que restringe a zero o nível de álcool permitido no sangue do motorista. Afinal, ela depende do bafômetro, ou etilômetro – um aparelho que, por meio de uma reação química, detecta a presença de álcool no ar expirado.
Vale a pena, portanto, conhecer um pouco mais sobre estes instrumentos. Versão Zero encontrou três tipos de bafômetros à venda no Brasil, com preços que variam de 14 reais a 6.600 reais. As lojas pesquisadas foram a HiSeg e a Health and Safety.
O mais barato é o Etiloteste Químico Contralto. Fabricado na França, este bafômetro é descartável. É composto por uma bolsa e um pino – o motorista enche a bolsa com ar e, depois, encaixa o pino no bocal. A mudança de cor em um filtro vai detectar a presença de álcool acima do nível de 0,3 mg/L no ar expirado (equivalente a 0,6 g/L de álcool no sangue). É vendido em kits com 25 sacos – como o kit custa 350 reais, cada bafômetro sai por 14 reais.
Na faixa intermediária está o Etilômetro Digital Portátil BFD-30, da Instrutherm. Custa 367 reais – um kit com 50 bocais descartáveis sai por 98 reais. O aparelho pesa menos que um celular e funciona com 3 pilhas palito. A escala de detecção varia de 0,00 g/L a 1,00 g/L.
No extremo da coisa está o Etilômetro com impressora e teclado acoplados BAC-100, de 6.670 reais. Ele registra a hora, a data, o número de série do aparelho, o número da CNH e a placa do veículo do motorista que fez o teste. Armazena 2 mil testes na memória e permite transferi-los depois para o PC.
Qual destes bafômetros servem para a polícia? É claro que, pela baixa precisão, o saco descartável pode ser literalmente descartado. Ele é recomendado, por exemplo, em testes amostrais de funcionários de fábricas onde o uso de álcool pode comprometer a segurança.
Mas não seria exagero propor que cada carro do policiamento de trânsito da cidade tivesse um modelo como o BFD-30. Pelo preço de uma arma, o bafômetro poderia aumentar bastante a percepção de segurança – e fazer o motorista pensar duas vezes antes de abusar do álcool e dirigir por aí.



