Filmes que marcaram nossas vidas: “O Incrível Homem que Derreteu”

Em meados dos anos 70, a cápsula americana Scorpio 5 leva uma equipe de 3 astronautas a Saturno. Mas parece que o sol nascente daquele planeta não faz muito bem à saúde, e o astronauta Steve West começa a derreter – literalmente.
Esse é o mote do filme “O Incrível Homem que Derreteu” (The Incredible Melting Man, 1977), [...]

Em meados dos anos 70, a cápsula americana Scorpio 5 leva uma equipe de 3 astronautas a Saturno. Mas parece que o sol nascente daquele planeta não faz muito bem à saúde, e o astronauta Steve West começa a derreter – literalmente.

Esse é o mote do filme “O Incrível Homem que Derreteu” (The Incredible Melting Man, 1977), uma produção trash que metia medo nas crianças (inclusive em mim) quando era exibido à noite pela TV Bandeirantes.

Visto hoje, contudo, a coisa toda é hilária. Atores canastrões, efeitos de festa de Halloween e uma sucessão de mortes que fazem o filme acabar por falta de elenco fazem par com a já clássica cena em que o homem, tornado monstro, tem sua última demonstração de ternura.

Sem contar que a história toda – astronauta vai a Saturno, volta, é internado, descobre que está derretendo, quebra tudo no hospital e mata sua primeira vítima – já é contada nos 8 primeiros minutos do filme. O que dizer dos 92 minutos restantes?

É preciso lembrar que, em 1977 – ano, aliás, em que “Star Wars” veio ao mundo -, os maiores vilões sobrenaturais do cinema ainda eram Drácula, Lobisomem e Frankenstein. Jason, Freddy Krueger, Alien e todo o resto da turma viriam depois.

De qualquer modo, rever filmes como esse é bacana também pelas cenas que costumavam ser cortadas pela censura federal ou que hoje, pelas normas politicamente corretas, nunca seriam exibidas. A cabeça esfacelada da enfermeira e os seios à mostra de uma das quase-vítimas me eram desconhecidas, ao mesmo tempo em que lembrava da cena em que três crianças “brincavam” de fumar escondido nos fundos da casa – e a que ensinava, aliás, ainda tinha dentes-de-leite.

Em meio a tanto descalabro, sorte mesmo teve o ator principal, cujo rosto aparece no máximo por 30 segundos no filme todo. No resto, ou está mascarado, ou derretendo. Tornou-se, assim, um dos raros protagonistas anônimos do cinema mundial. Melhor assim.

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