Globo escreve suas memórias na web

Pode ser que as próximas gerações sejam irremediavalmente perdidas para a internet. Eu, não – antes da internet, já me havia perdido irremediavelmente para a TV.
Por isso, se você treme quando ouve a vinheta do Plantão da TV Globo, vai gostar de bisbilhotar no site Memória Globo, que acaba de ir ao ar. São dezenas [...]

Pode ser que as próximas gerações sejam irremediavalmente perdidas para a internet. Eu, não – antes da internet, já me havia perdido irremediavelmente para a TV.

Por isso, se você treme quando ouve a vinheta do Plantão da TV Globo, vai gostar de bisbilhotar no site Memória Globo, que acaba de ir ao ar. São dezenas de fotos, vídeos, biografias, fichas técnicas e depoimentos que, vistos na sua totalidade, dão uma idéia da importância que esta emissora teve na história recente do país.

É certo que muita coisa ficou de fora, mas felizmente os fatos mais importantes não foram esquecidos. Como o papel da Globo nos episódios da apuração de votos nas eleições para governador do Rio de Janeiro em 1982, ou a edição do debate entre os então candidatos Collor e Lula às vésperas das eleições para presidente em 1989.

Boa parte dessa informação deve ser lida como o depoimento do “outro lado”, sem dúvida. Mas tem muito mais. Para dar uma idéia das pérolas que podem ser encontradas lá, reproduzo texto sobre um programa humorístico chamado Bairro Feliz, exibido em 1965. Confira muito mais no site.

No quadro da escola de samba, Grande Otelo era acompanhado pelo conjunto Os Originais do Samba, que tinha entre seus integrantes o cabo da Aeronáutica Antônio Carlos. Ele participava do programa sem o conhecimento dos seus superiores e, por isso, tentava se manter o mais escondido possível em cena, até que teve um ataque de riso durante um dos programas, quando Grande Otelo deixou cair no chão um livro onde havia guardado o script, porque não havia decorado o texto. Desconcertado, o comediante olhou para o sambista, que era negro, calvo e sem pelos no rosto, e fuzilou: “Tá rindo de quê, ô mussum?” levando a platéia às gargalhadas. “Mussum” era o nome de uma enguia preta e sem escamas. Milton Gonçalves conta que Antônio Carlos passou algumas semanas irritado com o apelido, mas acabou adotando-o como nome artístico, com o qual entraria para o grupo Os trapalhões e para a história do humor brasileiro.

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Ricos da China, ricos do Brasil

Leio a coluna de Mônica Bergamo na “Ilustrada” da Folha de S.Paulo de hoje, 8/06, e aprendo um pouco mais sobre a tal da China que nos vende tanta parafernália eletrônica. Uma informação, contudo, parece brilhar como um dlsplay OLED: a concentração de riqueza, problema crônico tanto aqui como lá.
Segundo o Boston Consulting Group, “cerca [...]

Leio a coluna de Mônica Bergamo na “Ilustrada” da Folha de S.Paulo de hoje, 8/06, e aprendo um pouco mais sobre a tal da China que nos vende tanta parafernália eletrônica. Uma informação, contudo, parece brilhar como um dlsplay OLED: a concentração de riqueza, problema crônico tanto aqui como lá.

Segundo o Boston Consulting Group, “cerca de 310 mil famílias chinesas, ou 0,1% do total, têm patrimônio superior a US$ 1 milhão (…) e detêm 41% da riqueza do país”. Foram esses que, no ano passado, somaram mais 5 mil Porsches zero às ruas chinesas.

Juro que não entendo como um país dito comunista conseguiu produzir tantos milionários. Mas, quanto ao Brasil, que nunca foi comunista, o caso é bem, bem pior. Já disse o professor da Unicamp Marcio Pochmann que 5 mil clãs familiares detêm, no Brasil, 40% da riqueza do país.

Como o Brasil tem aproximadamente 51 milhões de famílias, as 5 mil famílias representam 0,001% do total. Como isso pode ocorrer? Pense em concentração de terras, em TVs e jornais como empresas familiares, no doutrinamento religioso, em impostos que isentam os ricos e as heranças, e você terá algumas pistas.

Os chineses têm muitos desafios, e lidar com os 800 milhões de cidadãos que ainda permanecem no extrato mais pobre é uma delas. Mas eles, ao que parece, encontraram um rumo.

E nós?

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