Como já é de costume, a empresa de pesquisas de mercado Ibope//NetRatings alimentou a imprensa com novos números sobre a internet brasileira. Pelo balanço de abril, o número de internautas residenciais ativos cresceu 41,3% em um ano, chegando a 22,4 milhões.
Além disso - e o que é mais raro -, o Ibope também divulgou o percentual dos que [...]
Como já é de costume, a empresa de pesquisas de mercado Ibope//NetRatings alimentou a imprensa com novos números sobre a internet brasileira. Pelo balanço de abril, o número de internautas residenciais ativos cresceu 41,3% em um ano, chegando a 22,4 milhões.
Além disso - e o que é mais raro -, o Ibope também divulgou o percentual dos que usam conexões domésticas de banda larga. Em abril, esse número foi de 82%, ou cerca de 18,3 milhões de usuários.
Conhecendo o fascínio da imprensa pelos grandes números, é natural que o crescimento de 41,3% tenha ganhado destaque. Mas é possível captar uma ou duas informações novas quando se estuda esses números com mais afinco.
Para começar, busquei os números de internautas ativos levantados pelo Ibope, mês a mês, desde janeiro de 2007. Depois de caçar dados esparsos em pequenas notas divulgadas pela imprensa, encontrei a série completa no site Teleco. Com eles, construí um gráfico, comparando-o com uma reta que representa, de forma aproximada, a taxa de crescimento dessa série.

A reta que melhor se aproxima dos dados reais tem inclinação de 0,58 e, quando X=0, corta o eixo Y em 14,1 (as contas foram feitas na planilha da suíte OpenOffice). Como a inclinação é justamente a taxa de crescimento, isso quer dizer que, de forma aproximada, a cada mês 580 mil novos usuários somam-se ao total de internautas ativos no país.
Agora, as especulações
Se 80% deles quiserem acessar a internet via banda larga, então 460 mil novos usuários mensais terão de ser disputados a tapa pelas prestadoras desse serviço, seja via cabo, ADSL ou rádio. O que explica a voracidade dos operadores de telemarketing, que continuam a ligar nas manhãs de sábado, tentando nos convencer a assinar um serviço ou mudar de prestadora.
O mais revelador, contudo, é que esses 80% podem estar próximo do teto do alcance da internet rápida brasileira. Nos Estados Unidos, que são o berço da internet, o alcance da banda larga chegou a 89,3% dos internautas ativos, segundo a métrica do WebSiteOptimization. Ou seja, quem ainda não tem é porque não encontrou quem a ofereça.
Se isso for verdade, pode ser que as projeções de crescimento dos provedores de banda larga sejam guiadas cada vez mais pelo próprio crescimento da venda de PCs novos – que, diga-se, cresce a taxas bem menores. A respeito disso, note que a curva vermelha do gráfico – ou seja, os dados reais – ensaia um viés de estabilização. Será que é o que eles querem? Aposto que não – e não me surpreenderei se mais fusões e aquisições vierem a ocorrer.