Há pouco mais de 10 anos – antes, portanto, da era iMac -, visitei a sede da Apple em Cupertino, na Califórnia. Dessa viagem, trouxe algumas fotos (ruins, diga-se, e por culpa minha), tiradas com uma câmera Canon Rebel, de filme convencional. Como o tempo cura tudo, as fotos que não foram para o lixo começaram a ter um outro valor, de caráter testemunhal. E foi esse aspecto que me levou a trazê-las ao Versão Zero.
A imagem acima – uma tentativa de panorâmica, obtida a partir de 2 fotos impressas em papel – mostra a fachada da sede da empresa, que fica na rua Laço Infinito, número 1. Note o jardim à direita da entrada, decorado com ícones gigantes do velho Mac OS. Desse lado ficava uma lojinha de fábrica, tipo Applewear – vendia-se tudo, de micros e software a camisetas e chaveiros.
Dentro, duas coisas – daquilo que pude ver, claro, pois não era possível zanzar impunemente pelos corredores – chamaram a atenção. Uma foi a galeria de micros, com valorosos espécimes preservados sob caixas acrílicas. Era um autêntico passeio pela história da computação pessoal.
Este aí ao lado, por exemplo, é um dos primeiros Macintosh produzidos, cujo design é chamado hoje de clássico. Quem o vê, assim, pode não entender por que causou tanto barulho à época do lançamento, em 1984. Mas basta explicar que seu concorrente, o IBM PC – avô do que usamos hoje – sequer tinha interface gráfica. Era preciso digitar os comandos no teclado.
O Macintosh levou o mouse para as massas, e ajudou a popularizar o estreante disquete de 3,5 polegadas. Bem, o Macintosh também era espartano – tinha 128 KB de memória e tela monocromática. Dizia-se portável, mas pesava cerca de 20 quilos. E custava, na época, cerca de 2 mil dólares. Mesmo assim, cresceu e multiplicou-se graças a uma aplicação inovadora e até então inexistente: a editoração eletrônica, cujo pai foi a Aldus e seu PageMaker. O Macintosh foi clonado em 1985 pela brasileira Unitron, numa iniciativa que terminou melancolicamente três anos depois.
A seu lado, na galeria, descansava um dos malfadados Lisa, antecessor do Macintosh e que lhe emprestou muito de sua tecnologia. O Lisa é um daqueles aparelhos que chegam antes e custando muito caro (10 mil dólares, para ser exato). Além disso, era bem maior que o Mac. Muito já foi escrito sobre o Lisa, inclusive que milhares de exemplares foram despejados num aterro, a título de baixa de estoque (o que é verdade).
Além desse, encontrei um exemplar mumificado do Apple Laser IIc, o portável da família Apple II. Sim, portável, pois ele podia ser carregado por uma alça na parte de trás (note também a bolsa de couro, posta do lado do aparelho). O monitor? Bem, seria preciso pedir a ajuda de alguém para carregá-lo, também. O Apple Laser teve um clone brasileiro mal ajambrado, produzido pela Milmar, e cujo teste o Versão Zero já publicou aqui.
O melhor da visita foi vê-los todos funcionando, lado a lado, numa sala montada especialmente para testes de compatibilidade. (Sim, na época em que a foto foi tirada, ainda parecia haver usuários destes computadores.) Para muita gente, esta poderia ser a bancada dos sonhos. Note, da direita para a esquerda, um Lisa 2, um Apple III (raríssimo no Brasil, mas que conheci nos meus tempos de estagiário), um Apple Laser e um Macintosh. Ao longe, um Apple II. Que foi como tudo começou.






