Com dívidas que em dezembro de 2007 chegavam a 284 milhões de reais, a Gradiente enfrenta hoje um golpe ainda maior: a incapacidade de honrar as garantias dos produtos vendidos.
A Gradiente já comunicou os Procons dos vários Estados sobre suas limitações. Em carta datada de 22 de fevereiro, a empresa afirma que, “diante da grave situação econômica, momentaneamente não dispõe de recursos financeiros para honrar eventuais compromissos em audiências” e que também “não dispõe de recursos para efetuar eventual reembolso do valor do produto, nem a troca do aparelho”, como determina o Código de Defesa do Consumidor.
Para o consumidor, a situação é preocupante, já que o serviço de Assistência Técnica simplesmente sumiu. No site da empresa, o clique no link Assistência Técnica devolve a mensagem “Estamos reestruturando nossa rede”.
Erros de estratégia
Em dezembro, o jornal “Valor Econômico” já havia publicado uma matéria sobre a crise na Gradiente. O texto apontava sucessivos erros de estratégia, como a compra de produtos asiáticos de má qualidade em grande quantidade, a compra excessiva de TVs de plasma em 2006, quando o mercado ainda não estava suficientemente aquecido, e a recusa em voltar ao mercado de PCs.
Segundo a empresa, a dívida vem sendo equacionada. Em setembro, soube-se que a marca Philco, de propriedade da Gradiente, havia sido vendida por 22 milhões de reais para pagar dívidas – em 2005, a marca havia sido comprada do Grupo Itaú por 60 milhões. O direito de uso foi cedido pelos novos donos à Britânia, que tem interesse em vender aparelhos de som e vídeo com a marca.
Mas, enquanto os bancos têm sido flexíveis, os fornecedores de peças têm jogado duro, a ponto de deixar a empresa desabastecida – daí a falta de componentes para assistência. Para piorar, na virada do ano a empresa sofreu uma ação de despejo por falta do pagamento de aluguel – o prédio onde fica a sede da Gradiente pertence a uma empresa do ex-governador Orestes Quércia.
Este mês, a revista “Isto É Dinheiro” retoma o assunto, mas com tom otimista. Diz que a Gradiente está negociando parceria com a Videocon, uma grande empresa indiana de eletroeletrônicos. Pela matéria, os executivos tentam costurar um arranjo em que a estrutura da empresa brasileira seja utilizada para a fabricação de produto indianos, para venda doméstica e exportação. O jeito é torcer para um final feliz, para funcionários e consumidores.



18 de April de 2008 às 01:00
[...] (Atualizado em 17/04/08: por causa da crise financeira que assola a Gradiente, este produto poderá não estar disponível nas lojas. Saiba mais sobre a crise e suas conseqüências clicando aqui.) [...]