Câmera digital e a terceirização dos sentidos

A consolidação popular da fotografia e do cinema levaram o filósofo Walter Benjamin a refletir, nos anos 30, sobre a democratização do acesso à arte. A loucura é que hoje, aparentemente, as pessoas já não dispensam a foto e o filme, mesmo quando a arte real está ao alcance dos olhos.
Duvida? Então vá assistir a [...]

A consolidação popular da fotografia e do cinema levaram o filósofo Walter Benjamin a refletir, nos anos 30, sobre a democratização do acesso à arte. A loucura é que hoje, aparentemente, as pessoas já não dispensam a foto e o filme, mesmo quando a arte real está ao alcance dos olhos.

Duvida? Então vá assistir a qualquer show ao vivo e observe a multidão de pessoas que, em vez de curtir o momento, preferem passar o tempo tirando fotos e filmando a performance.

Minha observação limita-se a dois shows recentes. Um foi o de Luiza Possi no Shopping Metrô Tatuapé, registrado pela foto acima (Luiza está de verde, ao longe); o outro, que não fotografei, ocorreu no Shopping Anália Franco e reuniu os cantores Fred Martins e Zélia Duncan. Este, por sinal, superou o primeiro em quantidade de “fotógrafos”: uma turba munida de celulares-câmeras perseguia cada movimento de Zélia.

O sumiço da “aura”

É onde o ridículo e o misterioso se cruzam. Dezenas de pessoas assistiam ao show pela telinha do celular, enquanto tentavam tirar a melhor foto – e enquanto isso, o show rolava no palco. Sua dinâmica, sua “aura”, como chamava Benjamin, e que só podia ser sentida na experiência viva, desaparecia na tela da câmera.

Provavelmente, quando chegaram em casa, essas pessoas puderam se certificar de que estiveram realmente em um show, e de que o show tinha sido bom ou ruim – dependendo, claro, da comprovação, mediante foto ou filme, e da opinião das pessoas para as quais essas fotos ou filmes foram mostradas.

Se for assim, então a opinião pessoal estará subordinada à aceitação social, tal como disse Benjamin em relação ao cinema. A fruição da arte torna-se mediada não apenas pela câmera, mas também pelo grupo que, coletivamente, define sua opinião por meio do confronto das opiniões pessoais.

Um homem, uma câmera

O mundo onde cada homem tem sua câmera está cada vez mais próximo, e seus efeitos já podem ser sentidos nos jornais, na TV e na própria internet.

Seu impacto social, no entanto, ainda está para ser avaliado. Quem se habilita a ser o Walter Benjamin do século 21?

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Piaggio MP3: prepare o bolso

Em meados de março flagrei uma bela Piaggio MP3 zanzando pela zona Leste de São Paulo. Devia ser uma das unidades em teste pelas revistas especializadas, pois a edição de abril da revista Motociclismo trouxe justamente uma avaliação da scooter. Que, aliás, contou algo que não sabia: a MP3 tem, imaginem, freio de mão. Chato [...]

piaggiomp3-2

Em meados de março flagrei uma bela Piaggio MP3 zanzando pela zona Leste de São Paulo. Devia ser uma das unidades em teste pelas revistas especializadas, pois a edição de abril da revista Motociclismo trouxe justamente uma avaliação da scooter. Que, aliás, contou algo que não sabia: a MP3 tem, imaginem, freio de mão. Chato mesmo foi descobrir o preço – 39.500 reais, mais caro que a Suzuki Burgman 400 e quase o preço de um Ford Focus. É, não vai ser desta vez…

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