Primeiro de abril é um dia em que jornalistas devem sair de casa com atenção redobrada. Não são poucos os jornais e os sites que costumam comemorar a data com notícias falsas, produzidas para provocar risos à custa dos incautos.
A última foi publicada pelo respeitável site InfoWorld. Diz que a Microsoft e o Yahoo entraram num acordo para compra desta pela primeira. Tudo muito bem escrito e fundamentado, com declarações de ambos os lados e tal.![]()
No Brasil, um dos que caíram na história foi o jornalista Rafael Barifouse, da Época Negócios. Ele publicou a notícia em seu blog (clique na imagem para ampliar). A nota não está mais lá, mas o episódio segue solto pela internet.
Já a notícia do InfoWorld continua lá, agora com o aviso de que se trata de um “April Fool”.
Outro exemplo de brincadeira de April Fool veio do Google, que teria incluído, no Gmail, o recurso de envio de e-mail no passado (“Custom Time”). Isso mesmo: com ele, você poderia mandar um e-mail com data retroativa.
Boimate
Alguns casos de gente que caiu na pegadinha do Primeiro de Abril tornaram-se clássicos. É o caso do Boimate, resultado da combinação celular do boi com o tomate, que supostamente resultaria em cortes de carne com um sabor especial.
A “descoberta” foi anunciada em 1.o de abril de 1983 pela revista New Science. Em 27 de abril, a revista Veja, em texto do jornalista Eurípedes Alcântara, comemorou a novidade. O desmentido veio pelo jornal O Estado de S.Paulo, em junho daquele ano, principalmente para acalmar os leitores que não paravam de escrever cartas à redação.
O incidente, embora não possa ser esquecido, não chegou a prejudicar Alcântara, que foi por muito tempo correspondente nos EUA e chegou a diretor de Redação de Veja.
Chip de mentira
Em meados da década de 1990 tive meu próprio episódio. Não era relacionado a 1.o de abril e sim a uma estratégia de divulgação de uma distribuidora de produtos de informática.
Uma semana antes de uma grande feira do setor, comecei a receber, na Redação do “Informática” do Estadão, comunicados assinados por uma assessoria de imprensa (da qual não lembro mais o nome), dando conta que um processador de 1 GHz seria lançado aqui. Na época, o processador mais rápido não passava de 200 MHz.
Tentei confirmar o fato, sem sucesso. Mesmo assim, escrevi sobre o tal chip – se bem me lembro, salientando que “a distribuidora tal promete mostrar na feira um chip revolucionário”.
A coisa, na verdade, era um simples golpe de marketing para atrair curiosos. O chip de 1 GHz viria alguns anos depois, mas o gosto de ter caído na pegadinha ainda não desapareceu.
Primeiro de abril é assim. O jeito é achar graça, não importa o lado que você tenha assumido na brincadeira.



