Quando soube do roubo de peças de notebooks da Petrobras, estranhei que tivessem levado também as memórias RAM dos aparelhos. “Afinal”, pensei, “os dados ficam nos discos rígidos, que também foram levados”.
Como sou ingênuo. Não é que hoje, no “The New York Times“, o experiente repórter John Markoff descreve um “novo método de recuperar informações codificadas” mediante o congelamento de memórias RAM?
A técnica, divulgada pela Universidade de Princeton, baseia-se numa constatação engenhosa. Quando um micro – com dados criptografados no HD – é ligado, a “chave de descriptação” é carregada na memória RAM.
Ocorre que, ao contrário do que se pensava, depois que se desliga o PC a RAM não é apagada. Os pesquisadores de Princeton descobriram que os dados ficam ali, por segundos ou até minutos. E, quando a memória é congelada (com nitrogênio líquido, por exemplo), outros equipamentos podem ser capazes de ler seu conteúdo e descobrir as tais chaves que “abrem” os HDs.
E agora, ainda dá para acreditar em crime comum?


