
Melhor que o transporte, só o teletransporte. Por enquanto, a novidade que desafogaria o trânsito em São Paulo só existe nos cinemas – e mesmo assim ainda oferece riscos. Em “A mosca da cabeça branca” (The Fly, 1958), o criador de um teletransporte vaporiza um gato antes de transformar a si mesmo num ser híbrido homem-inseto. Na série “Jornada nas Estrelas” (Star Trek, 1966-69), por várias vezes os heróis só conseguiram ser rematerializados no último segundo, graças à dedicação do engenheiro Scott – e não sem algumas baixas.
Eis que surge agora “Jumper” (2008), filme que explora o sonho do transporte sem aborrecimentos como bilhete único sem carga ou trem lotado. No filme, que estréia hoje nos EUA (e em 28/03 no Brasil), um jovem tem certa anomalia genética que permite teletransportar a si e tudo em que se agarra (cadeira, guarda-sol, namorada) para qualquer lugar – até a Lua. O que ele não sabe é que tal anomalia tem sido transmitida há gerações, e seus portadores têm sido perseguidos e mortos por uma dinastia secreta.
É preciso ver “Jumper” para ter certeza, mas o trailler dá a entender que a habilidade de viajar de um lugar a outro em um segundo é só um pretexto para a produção de cenas de batalha com toques de “Matrix”. É pena.
Há nesses filmes novos, contudo, uma idéia mais perturbadora: a de que essas habilidades são dons (“gifts”) que não exigiram esforço algum para serem conquistados. Compare: antes, cientistas e engenheiros davam duro (e, às vezes, erravam feio); agora, ou se faz um upload no cérebro, ou se tem o “dom” – imagem de uma geração que ganhou de presente tecnologias como a internet e o celular, tal como se tira uma maçã da árvore. A conferir…
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15 de February de 2008 às 13:02
Parece produto de uma geração que cresceu lendo X-Men. O argumento também me lembrou muito Heroes, onde as pessoas um belo dia descobrem ter superpoderes, sem nenhum motivo aparente. Na série os poderosos também acabam sendo perseguidos por uma companhia que deseja eliminar seus poderes. Nada se perde, nada se cria…