A HP-20S chegou às minhas mãos em outubro de 1990 para ajudar nas aulas do bacharelado em Física, que não completei. Veio para substituir uma enorme Casio FX850P, que tinha teclado alfanumérico e era até programável em Basic, mas que se tornava um estorvo na bancada do laboratório.
Comparada à Casio, a HP-20S era bastante simples, [...]

A HP-20S chegou às minhas mãos em outubro de 1990 para ajudar nas aulas do bacharelado em Física, que não completei. Veio para substituir uma enorme Casio FX850P, que tinha teclado alfanumérico e era até programável em Basic, mas que se tornava um estorvo na bancada do laboratório.
Comparada à Casio, a HP-20S era bastante simples, porém muito mais adequada para uso em sala de aula. Seu design vertical e o uso do sistema algébrico significava uma ruptura em relação às HP 11/12/15 C, que eram horizontais e usavam o sistema RPN de entrada de dados. Mantinha, no entanto, a construção robusta, com teclas de resposta tátil, e um display de 12 dígitos, que podia ter seu contraste ajustado pela combinação da tecla On com as teclas + e -.
A 20S é generosa em funções pré-programadas: tem combinatória, permutação, fatorial, conversão de coordenadas, de ângulos e de horas, e operações com bases hexadecimal, octal e binária, além de funções estatísticas.

A programação era limitada pela memória de 99 passos e 10 posições de memória. Havia, no entanto, um diferencial: uma biblioteca com 6 programas embutidos, nomeados de A a F, e que podiam ser carregados na memória principal com o comando Load. Esses programas calculavam raízes de sistemas, resolviam integração numérica, operavam com números complexos e matrizes, entre outros truques.
Apesar da memória limitada, a HP tinha uma vantagem em relação ao sistema usado pela Texas na TI-66. Na HP, uma seqüência de teclas, como “go to label A” (GTO LBL A), era computada como um único passo, enquanto a Texas contava três.
Em desempenho, a HP-20S não decepcionava. Escrevemos um programa de fatorial para a HP e, mesmo com mais comandos que a versão da TI-66, ele levou 3 segundos para calcular 69!. Usando-se a função pré-programada, o tempo foi ainda menor: 0,7 segundo. Só para comparar, o programa equivalente na Texas TI-66 levou 48 segundos para dar o resultado. Ah, e como a HP 20 S trabalha com mantissa de 3 dígitos, ela pode calcular fatoriais de números bem maiores que 69…

Uma curiosidade: esse modelo foi produzido no Brasil pela Edisa, que à época representava a HP no País. Coisa rara hoje em dia.
HP-20S
Produção: 1989-2002
Sistema: algébrico (não-RPN)
Memória: 99 passos/10 registradores
Número de série: 3034B99472
Preço nos EUA: a partir de 50 dólares (usadas) e 100 dólares (novas, cada vez mais raras)